2008/11/28

Finais


Vamos procurar explicar, segundo a nossa experiência e o nosso conceito, aquilo que é mais importante de aprender para um jovem jogador.
A nossa experiência como “ pessoas do xadrez “, jogadores profissionais, treinadores, e sobretudo o que convivemos e conversámos com muitos colegas nossos de outros países ensinou-nos quais as prioridades.

Porquê os finais?
Os finais são a terceira e a última fase do jogo.
É difícil definir exactamente quando é que começa o final.
Porém existem factores temáticos que podem tentar definir “uma posição de final”.

1º Factor: O papel activo do rei . Enquanto no Meio-Jogo o rei deve estar protegido para evitar os ataques de mate, no final o rei passa a ser uma peça que intervém activamente no jogo e torna-se quase sempre indispensável para ajudar a concretizar a vitória.

A centralização do rei é um elemento quase sempre imprescindível nos finais.

2º Factor: A promoção do peão: Objectivo Estratégico mais importante em quase todos os finais.
Nos finais, para se atingir a vitória e dada a exiguidade de peças, para se ganhar a partida têm de se promover os peões.

3º Factor: É muito importante ter um Plano. Dando um exemplo muito elementar, não é possível dar mate de dama e rei sem a entre ajuda entre as duas peças.
Ou seja, nesse simples final aprendemos a “fazer uma equipa entre as duas peças que temos “.
Dessa forma, os finais ensinam-nos a trabalhar com cada uma das peças e a perceber a importância estratégica de no xadrez “Formarmos equipa “ entre as peças que temos sejam poucas ou muitas.

“Finais Teóricos” – Finais teóricos são finais de resultado conhecido, ou seja são posições em que a forma correcta de jogar é totalmente conhecida e única.
Por exemplo, aprendendo a dar mate de dama, é tão fácil um jovem iniciado dar mate de dama ao seu colega, como a Garry Kasparov. Se conhecer a técnica na perfeição, obviamente.
São muitos os “finais teóricos” e para um jogador profissional é impossível jogar em torneios internacionais sem conhecer essas técnicas na perfeição.
Porquê?
Primeiro para, chegando a essas posições, aplicar a técnica correcta em perfeita segurança e sem hesitações.
Isso permitir-lhe-á gastar menos tempo no relógio, e, saber que peças trocar para chegar a um final de “resultado conhecido”.
Para um jovem jogador, quanto mais cedo aprender os “finais teóricos”, mais rapidamente ganhará segurança para trocar peças e saber onde vai chegar.

“Finais Práticos” – Finais Práticos são posições em que nenhum conhecimento rigoroso pode ser aplicado, mas que exigem a utilização dos princípios gerais do jogo.

Ensinamos alguns “Finais teóricos “, mais simples mas que consideramos que um jovem jogador que queira ser um pouco mais do que simples campeão nacional da sua categoria ( e que por exemplo, se preocupe em ter um bom resultado numa prova internacional dessa mesma categoria ) deve conhecer desde já.
Por outro lado conhecemos por experiência que a maior parte dos monitores de xadrez do nosso país não se esforçam minimamente por conhecer estas técnicas.
Resultado, não conhecendo estas não as podem ensinar, e são os jovens que vão sair prejudicados.

O velho argumento de que não se chega ao final é simples ignorância e demonstra pouca vontade em trabalhar seriamente esta fase do jogo.
São milhares os exemplos de jovens e não jovens que chegaram ao final com posições ganhas e perderam e deixaram de ganhar campeonatos por não conhecer as posições onde estavam, ou por medo em lá chegar.

Método de Aprendizagem dos Finais teóricos

Como estudar os “Finais Teóricos”?
Primeiro estudar com rigor as técnicas ( se possível escrevendo para interiorizar melhor—Método Botvinnik );
Segundo, verificar a aprendizagem jogando a posição contra um colega ou contra o professor, de preferência com tempo no relógio simulando a situação de jogo real, para ver se aprendemos a técnica. Quando a aplicarmos automaticamente e sem hesitação, significa que ela foi apreendida correctamente.
Não pode nem deve existir pressa nem impaciência neste tipo de trabalho.

Analisando partidas comentadas dos melhores finalistas de todos os tempos:
Lasker, Capablanca, Rubinstein, Botvinnik, Smyslov, Karpov, Ulf Andersson , Kramnik etc.
Este trabalho deve ser feito cuidadosamente e depois de aprender “Os finais teóricos”.

Para terminar os finais estão cheios de truques tácticos e um bom monitor deve ter essa noção bem clara. Grande parte das posições mais bonitas do xadrez táctico e do problemismo está ligada aos finais.
É completamente impossível ser um jogador completo sem dominar os finais de partida.

4 comentários:

Clube de Xadrez Guaíra disse...

Informações importantes à nós, jovens.

Mestre, obrigado pela sapisciência!

E parabéns pelo blog!

Está muito, como dizem em meu país, 'redondinho'!

Abraços e continue com o belo trabalho!

Rafael Pimentel
www.cxguaira.blogspot.com

Roi disse...

Qué crack Frois

Anderson Morgado disse...

Parabéns Mestre;
A difusão do conhecimento é o combustível para a evolução do nosso querido esporte.
Sou educador e enxadrista e ávido por poder melhorar meu jogo.
Nosso clube é novo apesar da cidade ser velha. Foi fundada por Américo Vespúcio.
Visite http://xadrezlivre2.blogspot.com e conheça um pouco sobre nosso xadrez.
Saudações;
Anderson Morgado
Cabo Frio/RJ/Brasil

neijrodrigues disse...

Bastante educativo seu blog, vai me servir de exemplo para conduzir o meu blog:neijrodrigues.blogspot.com

Abç

Nei Jorge/ Rio de Janeiro